A Ecologia explica

Artigo de Sonia Shah, autora do livro “Pandemic”, elucida aspectos da compreensão ecológica sobre as causas que originam as pandemias e a importância da Saúde Única.
A imagem de microscópio mostra o coronavírus (bolas douradas) emergindo da superfície de uma célula (NIAID-RML).

Spoiler do artigo “Contra a pandemia, ecologia”.

Artigo de Sonia Shah, autora do livro “Pandemic”, jornalista investigativa sobre poder corporativo, saúde global e direitos humanos, elucida aspectos da compreensão ecológica sobre as causas que originam as pandemias.

Em seu artigo, Sonia sustenta que na causa mais profunda estão a destruição acelerada dos habitats naturais e como ocupamos esses lugares. Forçamos o fenômeno chamado “ultrapassagem da barreira de espécie”.

Ressalta-se as palavras do epidemiologista Larry Brillant, “as emergências de vírus são inevitáveis; as epidemias, não”. Por isso sustenta que precisamos adotar uma nova visão de atuação como o movimento Saúde Única, unindo a Saúde Humana, Animal e Ambiental.

Nessas três visões interconectadas, extraí do seu artigo os aspectos essenciais de sua argumentação.

Saúde Humana: Nós sempre nos beneficiamos da farmacopéia abastecida pela nossa biodiversidade. Mas conscientes de uma função mantenedora, devemos proteger a natureza para nos proteger contra a transferência microbiana de animais para seres humanos. Fica, em seu artigo, o evidente papel fundamental da Pesquisa científica e a necessidade de aporte de políticas públicas para seu financiamento. Nossa rapidez em identificar e agir depende, na base, das Ciências.

Saúde Animal: A autora sustenta que é falso que os animais silvestres estejam infestados de agentes patogênicos mortais, prontos a nos contaminar. Com a destruição dos habitats, os animais que conseguem sobreviver fogem para restos de fragmentos que o povoamento humano lhes deixou ou se adaptam a ambientes antropizados. Condições para o fenômeno chamado “ultrapassagem da barreira de espécie”: uma probabilidade maior de contatos próximos e repetidos com o homem, que permitem aos micróbios passar para nosso corpo, onde, de benignos, tornam-se agentes patogênicos mortíferos.

Outro aspecto relevante é o Trafico de animais – diga-se o terceiro maior comércio ilegal do mundo – que força o confinamento de espécies silvestres. Espécies que talvez nunca se aproximassem na natureza ficam enjauladas lado a lado e os micróbios podem alegremente passar de uma a outra. Alías, o coronavírus Sars tem origem aí.

Além desses, há o modo de criação industrial. Centenas de milhares de animais amontoados uns sobre os outros, à espera de ir para o matadouro. Assim como as montanhas de dejetos produzidos por nosso gado que oferecem aos micróbios de origem animal muitas oportunidades de infectar as populações.

Saúde Ambiental: com o desmatamento, a urbanização e a industrialização desenfreados, nós oferecemos a esses micróbios meios de chegar e se adaptar ao corpo humano. A destruição dos habitats ameaça de extinção inúmeras espécies. As espécies mais vulneráveis à extinção são aquelas especialistas de um habitat, e algumas espécies generalistas tendem a reocupar os locais desmatados e esses são melhores hospedeiros e vetores de doenças. Tanto o desmatamento de florestas quanto a ocupação de planícies úmidas têm sido causas de aumento de doenças. Por exemplo, as doenças transmitidas por mosquitos. Já se estabeleceu uma ligação entre o surgimento de epidemias e o desmatamento. As espécies de mosquitos vetores de agentes patogênicos humanos são duas vezes mais numerosas em zonas desmatadas que em florestas intactas. Nas zonas úmidas, a cólera já provocou sete pandemias até hoje, sendo a mais recente no Haiti.

Leia o artigo original traduzido em

https://diplomatique.org.br/contra-a-pandemia-ecologia/

Mais em:

http://soniashah.com/blog/

https://epoca.globo.com/helio-gurovitz/a-luta-da-humanidade-contra-as-pandemias-24288409

https://jacobin.com.br/2020/03/austeridade-e-a-maior-aliada-do-coronavirus-no-brasil/

Assistam ao vídeo abaixo e compreenda por quê não devemos caçar, consumir animais silvestres e muito menos amontoá-los em feiras.

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